Arquivo da categoria ‘Estórias abertas de gritos de macaco’

.meus pés incham como corações infartados

nesse pasto aberto de dentro pra fora, são rasgos verdes.

por Hanny Saraiva e Henrique de Sá

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Vou me encher aqui.

Uma bexiga bem grande até virar balão de vira mundo,

Mas às vezes eu sei que tem festa de línguas soltas no umbigo do balão e que explode picadinho de gente, cabelos no meio das tripas, um lago de chupar manga espremida nas bandas pop pelotas com cabelinhos de cu enroscados no fiapo de outrora, enfim, miolos mil! Vejo as sereias douradas que saltam e crescem de lá em seus fios dourados de miojo parmesão e seus olhos de lcd azuis fractais de 4 cm cada que piscam em 3d e voam para dentro da lapa vomitando infiltrações.

Deito a caneta que dorme e vou pra fora da cidade de pulsos abertos pra balanço.

Fico rouco de amendoim crocante. Venho pra dentro do branco fazer cores altas e para fora!

Nesse verão de inverno a neve assopra maçãs podres ao preço de um tic tac até que ela aparece rindo com fotografias entre os dedos do pé esquerdo. Tons sépia por causa da lomografia.

Ela diz um disse de que sou mestre ambrósio novo, de cara, de face, de fuça, se desculpando.

Se desculpando de quê, penso. Pela existência não interessante do tédio mirabolante dos peixes?

Então ela nota e grita: “Não tire F dozes do meu buraco de Hércules! Dei printscreen da vida com microfones apontados para o céu pra quê?”

Eu já não sei o que dizer, só posso estar na câmera de compassos de banana.

“Ah, botijão de cereal, você já teve a sensação de nunca mais aparecer entre os espirros de diamantes?”

Sim, mas por que ainda há barulho nos pés do chão que tem postal de acerola amassada com cheiro de estrela?

“É por causa do sândalo fotográfico que não ouso tocar. Não ouso nem ao menos esquecer pra frente. Gazes, muitos gazes longe da terra, muita luz também por causa das coisas pendentes que caem da poeira das estrelas, já que hoje a lua está redonda, amarela e com anel azul em volta. São essas estórias que (pera vou cagar) que todas as mães esquecem de contar quando os pais morrem… miolos dois mil.”

Espero. É o que faço pela vida louca de afastamento de cimento. Telefones sem fio tocam nas escadas do deserto com conta gotas para quê? Cotovelos apoiados em mantras de alumínio sacodem angolanos com biscoito de polvilho. Sou eu como com acupuntura, sem exitar. Me lembro de Jesus congelado jogando os cabelos em 360gaus com piranhas em seus cachos e castelos de bermudas floridas em cada dente.

“É porque a gente liga a tv.”

Ela levanta lentamente o pé por detrás da cabeça, onde posso perceber allstars transpassados nos joelhos, que antes estavam escondidos pelo vestido de Maggie. Performance fake da anã mambembe, penso.

É quando ela me entrega a primeira foto:


por Henrique de Sá e Hanny Saraiva

Chutumbilado

Publicado: dezembro 1, 2010 em Estórias abertas de gritos de macaco

Homem de 47.3 anos, peludo como um urso ruivo, mira um martelo na cabeça de um macaco prego. O macaco prego quica que nem estrela cadente em regime. O corpo do macaco zumbi saltitante para no colo de uma velhinha que alimenta os pombos na praça.

– Oh, um ETzinho, ela diz ajeitando os óculos infectados de excrementos das aves.

Pois aquela jovem senhora de 88.32,5 anos de idade fazia parte de um grupo de Ufólogos vegetarianos. Ela futuca então a orelha do ser alienígena e ele dá um gritinho de macaco aberto. A conexão estava feita. A lady pré-cemitério havia ressuscitado um rei de uma civilização extinta.

Ela promete dar ao rei a vida de um verdadeiro rei enquanto constrói uma nave para levá-lo de volta para casa.

O rei sorri: – Sempre quis expor uma foto minha pelado.

– Seu desejo é uma ordem, diz a velha enquanto termina de construir o aparato alienígena.

O bicho, carinhosamente chamado de CHUTUMBILADO espera, aguarda e fica ali, entre cagadas de pombos e bancos de praças. 1 ano, 2, 5 e meio.

A nave está pronta, banco estofado, vidro fumê, moldura com foto dele pelado e comida vegetariana, não falta nada.

Lady Gagha traz o cetro para o rei. Ele tem os olhos marejados. Não quer ir, descobriu que bebês usam fraldas, que homens correm com tênis, que mulheres andam na ponta dos pés quando se sentem seguras, que adolescentes colam chicletes debaixo de qualquer coisa…tanta inutilidade.

Mas também não poderia voltar atrás, a contagem regressiva já estava avançando, CHUTUMBILADO não tinha outra escolha. A nave parte em direção a Júpiter. A dona vegetariana dá adeus do alto de uma alface gigante ganhada de presente para fomentar seus gengibres…

Enquanto o veículo ganha velocidade, o homem-urso ruivo para do lado da velha, aponta seu rifle para a nave e atira. A nave explode.

Ele diz: – É só um macaco.

E a velha nem chora.

Por Getúlio Ribeiro e Hanny Saraiva

Quando o dragão de komodo encontrou o coala, ele estava com as mãos cobertas de sangue e espumando de raiva. Alguém havia puxado seu rabo até entortar e começar a coçar pelas beiradas. Isso o deixou enfurecido igual  a Michael Douglas em “Um dia de fúria”. Ele atacou o dragão sabiamente com suas duas orelhas fofinhas. Suas estratégias de batalha que havia aprendido nos livros de Tom Clancy parecia o ballet Russo. O dragão piscou duas vezes antes de enviar um jato de fogo do mal quando ele lembrou que não cospia fogo e apenas alguns perdigotos foram ejetados de sua boca. O coala riu a risada do palhaço assassino do quinto dos infernos ocidentais e cuspiu pro lado que nem gângster de faroeste.

DRAGÃO: – Mas que porra é essa, cara? Matou todo mundo só porque a galera zuou o seu rabo?

COALA: – Rabo o caralho, isso é coisinha de Deus.

E lascou-lhe uma bactéria especial de 60cm com o dorso pra baixo.

DRAGÃO: – Ahhh que isso cara, faz isso não, pô, na cara não…

Foi com a patinha que o urso-de-bolso depois arrancou um olho do dragão de forma fofinha e amorosa. Dizem que até rolou um beijinho na cabeça do alto de sua piedade.

por Getúlio Ribeiro e Hanny Saraiva

E tudo agora fica costas de armário, boca de garrafa e tinta de urucum quando a umidade de inverno vem das nucas das orcas. Sobre o tom da montanha, quando desabou na encosta, a nuvem esquizofrênica na frente do sol nunca calava quando via a própria sombra sobre a lama: Não gostei desse tom de inocência, desabou naturalmente, não precisava nem de metais e nem de agudos, eu chovo piano e não deixo de molhar, normal, sem máscaras, tá aí, eu chovo seco, ahauhauahu. O sol, quente, cheio de vaginas gozantes na cabeça. Atrás do universo um velho de dentadura de aço recita Jai Guru Deva Om. Vírgulas, pontos e coisas de lente de lixa com gosmas que lembram chiclete que não muda de forma. Uma caixa de fósforo pode ser uma caixa de correio se a régua não pontilhar nem medir chapéus mexicanos. Eu posso correr léguas de gotinhas de soda limonada se tiver tempo de ouvido e mãos fofas de urso de gaiola.  Mas nada vai mudar meu mundo.

por Henrique de Sá e Hanny Saraiva