Das coisas que te sacodem pra vida

Publicado: julho 24, 2015 em Das coisas que se aprende

Eu estou desempregada e com isso pego bicos que não me agradam, com contextos que discordo para pagar aluguel e comprar comida. As pessoas muitas vezes não entendem quando digo que não posso ir no lugar tal porque não tenho dinheiro e vivo em crise existencial porque na verdade não sei para onde ir. Fico repetindo a frase em looping “será que tudo isso vale a pena?”

Há um tempo atrás eu tinha palavras dentro de mim. Elas pulsavam e saíam de meus poros e eu conseguia espalhá-las não porque eu queria ganhar dinheiro com elas, mas porque achava que elas poderiam acalentar a existência de alguém, em algum lugar, que também estivesse nesse caminho bambo de vida. Eu não me preocupava com o fato de que tinha que vender palavras nem a porcentagem de lucros que elas poderiam me acarretar. Eu apenas criava.

Hoje, as palavras querem dizer quantidade de dinheiro que pode chegar até minha pessoa. E isso me corrói por dentro. Me dá tiros na alma nesse mundo de consumo. Vender WXY de livros. Produzir HIZ de conteúdos. Porcentagens e cálculos, rentabilidade em um país de crise. O número de curtidas que se leva em um post simples e que alguém me diz que tem que se transformar em venda.

Eu não produzo de coração limpo há muito tempo. E quando alguém aparece do nada, me mostrando como eu era, às vezes tenho vontade de agarrar meu eu do passado e dizer Não vá embora, fique um pouco mais. Ninguém sabe fazer o que você me faz. Quando te sopram por dentro, você realmente sente.

Hoje houve uma sacudida na vida. Parei para pensar e ter coragem de dizer e aceitar que as palavras produzidas por mim são pequenos elos que tocam uns e talvez outros, ou ninguém ou apenas uma pessoa. Mas quando elas são lidas, é como se eu quisesse dar um abraço e dizer Também estou aqui, com você, por você. Vamos apreciar a vista por um momento. Talvez isso seja o verdadeiro sentido de escrever. Você se conecta e ponto. Nesse mundo louco de produção de conteúdo rápido acabamos esquecendo o que Roy Rudnick disse uma vez, “o dia de amanhã ninguém usou, pode ser seu.”

E o espaço do “seu” deve ser preservado com cuidado. Frágil como ele, intenso e fulgaz, muitas vezes quer nos abandonar, por medo de não ser compatível com o mercado. Mas o que é o mercado a não ser números e probabilidades?

Se o que você fez foi abraçado por alguém em algum canto do mundo, mission completed. Antigamente escritores tinham um público de cem pessoas, agora é necessário milhões para que suas palavras sejam eficazes?

Um abraço para você, “omeunomeenuvem”, que me trouxe a alegria de recuperar essa sensação de troca, de amor e de valor às coisas simples. Inspirar e expirar. Uma coisa e outra.

omeunomeenuvem

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s