Fosca

Publicado: janeiro 3, 2014 em Contos

Quando aquele gnomo atravessou meu sofá, eu estava na beira da cor. Tonalidade nos dedos, pigmentação na garganta e um coração em RGB. “Toma,” ele me disse, “investe em pincéis.” “Mas eu pedi estrelas cadentes pras fadas. Uma existência cintilante, saca?” O gnomo me olhou com aqueles grandes olhos verdes e não piscou, apenas movimentou-se para o braço do sofá. “Ninguém nunca te contou, né?” “Contou o quê?” E ele, com toda paciência de pequeno, sussurrou: “Você é fosca.” Olhei para o meu peito e vi que já não tinha um arco-íris, só pulmão e veia. “Mas eu sinto as cores em negrito,” retruquei com as pálpebras pálidas. Ele nada disse. O silêncio da criatura mágica, minha vida em degradê.

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comentários
  1. Desireé Vila Verde disse:

    Primeiro de abril? Gnomo – com complexo de coelho d’Alice – que tardou a chegar com o gracejo?
    Pode tratando de brilhar, tá?

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