Tórax

Publicado: agosto 20, 2013 em Contos
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Tórax. Ele me bateu tipo no tórax. E eu senti aquela pancada que mais parecia um gás preso do que uma força externa abrupta.

“Quantos dias a mais você consegue respirar?” ele me perguntou, espetando um pedaço de palito de churrasco no que poderia ser minha garganta.

Pensamentos gasosos, formas vapor em volta da dor que está abaixo das palavras. Palavras, essas coisas tão explicativas e concretas que eu não conseguia muito entender.

Meus parentes diziam que eu tinha que me guardar pra primavera. E cá eu estava com meus anelídeos na mão dele. Ele, pequeno humano de olhos azulíssimos, desses cor de verão, não mais que meia dúzia de anos. Cabelos tão negros quanto o outro lado do dia. Ele, que era feito de língua e dentes, cílios e pelos no cotovelo.

Sobrancelha falhada, última coisa que vi quando me espatifou entre palito de churrasco e asfalto. Ele, curiosidade terrena. Eu, nunca borboleta.

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