Diário de bordo 3: como é entrar na terra da rainha

Publicado: janeiro 2, 2013 em Diário de Bordo
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Uma coisa que eu joguei no google e ele me deixou confusa: como é chegar na UK border? O que eles pedem pra gente lá? O que acontece? Será que haveria um questionário e eu teria que mostrar todo o dinheiro que possuía?

Então tudo começou assim:

d387269280ece5409ad829b3c775-postMalas despachadas, nada de objetos cortantes na bagagem de mão nem garrafas com mais de 100ml Fiz tudo que os vários blogs diziam e passei tranquilamente pela saída de meu país rumo ao país KEEP CALM AND CARRY ON. Mas o primeiro choque veio ao perceber que o DUTY FREE era tão caro quanto qualquer loja e que eu teria que passar pela polícia federal sem saber que estava passando pela polícia federal porque ninguém me dirigiu a palavra ou perguntou nada. Você é direcionado para uma outra fila e nada mais. Ninguém te diz pra que que serve a fila nem te pede pra ficar e ser um cidadão mais consciente.

O segundo choque  acontece no avião. Sempre tive uma ideia de que a classe econômica era menos privilegiada que a primeira classe, mas eu não tinha noção que os compartimentos da aeronave eram feitos para anões. Sim, anões da Terra Média, porque não há ser humano de estatura normal que aguente aquela coisa espremida chamada de assento. É tão apertado que eu, no auge de meus 1,56m fui esticar minhas pernas certa hora e dei uma banda na comissária de bordo inglesa que quase se estabafou no chão e olhou pra trás xingando em uma língua ancestral uma pessoa que não existia, não percebendo que era eu a culpada.

A gente sai do país simples assim, descendo do avião, olhando os cinzeiros de maconha de Amsterdã e se perguntando como é fácil cruzar fronteiras. Logo depois todo o encanto de liberdade passa quando você entra em outro avião e percebe que o segundo transporte é mais apertado que o primeiro e que além de ficar espremida, você ainda tem que aguentar o cecê importado. (Juro que não consigo entender como alguém ainda pode ter mal cheiro nas axilas pós-modernas com tanta tecnologia no mundo) E aí você ouve o inglês desses funcionários da companhia aérea e se desespera porque não consegue entender bulufas. Junto de tudo isso eles te dão muita, mas muita comida. Não consigo entender como alguém consegue comer tanto em onze horas de voo. E as horas passam. Rápidas, pra ser sincera. Se você tem pressão baixa como eu, as horas serão minutos sonhados. Você poderá ver alguns filmes e ler um livro,  mas nada além disso porque o barulhinho do ar condicionado te dará sono, ainda mais quando você vem de um Rio de Janeiro sem refrigeração em casa.

E antes da viagem aérea acabar alguém pergunta se você precisa de um landing card. Landing card? Mas o que é isso? Dentro do avião, eles te dão um papel pra você preencher com seus dados: nome, sexo, data de nascimento, quanto tempo irá ficar no país, onde, profissão, número de passaporte e assinatura. Apenas isso. Aí você desce do avião achando que terá que decorar rapidamente o endereço do hostel e descobre o primeiro sinal de que Londres é uma cidade cosmopolita: quem te faz as perguntas é um moço da Índia. E a primeira pergunta que ele faz é: DO YOU SPEAK ENGLISH? Aí você diz YES e ele responde OH THAT’S GOOD. E ele te pergunta as mesmas coisas que estão no papel, além de Quanto de dinheiro tu tem? Depois que ele disser THANK YOU isso quer dizer que você está no país dele.

Aí você aprende por instinto como pegar o metrô (depois de perguntar pro agente onde fica a estação e ele responder TEN SECONDS LATER ON THE RIGHT – típico humor britânico) e se encanta pelos diversos sotaques no transporte, a chuva que cai e os prédios que passam. E então você decide mudar sua localização no Facebook pra Londres e percebe que mais de 40 pessoas curtiram sua foto só porque você não está mais em seu país e percebe que há um mundo gigante pra conhecer, mas que no fundo, as coisas ainda são mais simples do que imaginamos. Não há nada demais no exterior, mas o mistério  permanece: carregamos nos olhos o encanto.

Viajar é encantar e se desdobrar. O resto é encontro de lugares e pessoas.

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comentários
  1. Julia disse:

    Conversar com você, querida, ainda que seja por meio da leitura do seus escritos, sempre me traz de volta à realidade. É muito bom ter um porto de sanidade ao alcance da mão, ainda que seja para demonstrar que me tornei um clichê ambulante. Boa jornada! Beijos, Julia.

  2. Rafaela disse:

    Menina, viajar é a melhor coisa que existe. Simplesmente pelo diferente e por aquele gostinho de mais do mesmo…

  3. Flor Baez disse:

    Que legal ler tua experiência! O cecê deles é fora do comum, né! A vontade é dar um saco de limão para cada europeu com cecê!

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