Um bilhete qualquer tipo post-it

Publicado: março 30, 2012 em Contos
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você, letra minúscula ou parênteses em negrito

Escrevi uma carta em véspera de sexta-feira. Dizia nada do que gostaríamos de saber, mas nela estavam escritas as coisas que descobri nos últimos dois meses. Não estava amarelada porque branca é a tela e era assim que eu gostaria que ela fosse, uma carta branca.

Li em voz alta as palavras que insisto em despoetizar porque não mais gosto de letras com mel. Tinha cheiro de talco de pé, desses que lutam para ser marca e reconhecimento. Contei o tanto de vírgulas pro tanto de que sinto falta. Separei as exclamações e o bando de interrogações que a gente enfia pelo ouvido. E alguém me contou que falta a gente sente pelo calcanhar.

As estórias cinematográficas vistas.
As canções que passam pelo player.
As criaturas de asas que entram e saem pela  janela.
O tipo de energia que pulsa pelo dedo.
O tanto de coragem que se precisa pra dizer sim.
O outro tanto de bravura indômita.
O tanto de coisa que muda quando a gente entorta a cabeça pra ver as coisas de lado.

Houve um clic para um arco-íris no fim de uma madrugada qualquer.
O céu da casa às vezes azul índigo.
A árvore que voltou a entrar pela varanda por uma sombra e meia. As vezes que o branco das grades que separa natureza e urbanidade fica em 3D.

O quanto que deveria importar. O mesmo valor de um gigante sentado em um banco de madeira branca. Que é a mesma medida para o coração que consegue descolar. Um durex, nunca um isolante.

eu, estação de trem ou  do ano.

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