Os mapas vários de tempos não-vividos.

Publicado: junho 22, 2011 em Contos

– Corra aqui! Tá ouvindo bem baixinho?

Ela juntou as mãos e viu entre o embaçado do vidro o que ele apontava.

– Sim. Mas o que é?

– Não sei, mas está assim há dias.

Ela olhou para ele que franzia a testa, como se pudesse ultrapassar a propriedade vítrea.

– Você acha que isso consegue chegar até a gente?

– Arrã, ele respondeu.

Os dois ficaram ali, a olhar. Algumas vezes ela mandava ele fechar os olhos só para ouvir o barulhinho. Outras ele a futucava para que arregalasse mais os olhos e pudesse ver de forma diferente.

Era uma diversão de fim de tarde. Ele dizia que aquilo era a forma que a abertura tinha para enxergar outros mundos. Ela achava que era apenas reflexo da luz misturado com som que vento faz.

Mas sempre quando terminava seja lá o que fosse, ela segurava a mão dele e eles saíam pra pular. Corda, amarelinha, vida inteira.

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