Bainha de mielina

Publicado: maio 24, 2011 em Contos

Da palavra que me coa

Guardo pra dentro o inverso das coisas

As bainhas e as camisas trocadas.

Da palavra que me esqueço

Jogo pra dentro

Os desejos de ter mais.

Da palavra que silencio

Grito complexo o que se vê nos minutos dos cílios.

O segundo do piscar.

O terceiro do olhar.

As coisas não concebidas entre as cordas vocais.

Da palavra que não compreendo

Descosturo rendas.

Se você não estivesse pintando a blusa de outra pessoa, eu poderia descansar no teu ombro.

A palavra que me resgata

Ainda é não sei.

Talvez só a ponta do lápis.

A borracha verde encaixada.

O corpo de papel reciclado.

Da palavra hoje

Enrosco uma música

E fico nela pra me aquecer de nada

Tocar um obrigada

Conhecer um depois.

Os números das notas matemáticas.

Aquilo que não tenho mais vontade de dizer.

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