Não me amarre de cabeça pra baixo, Louis

Publicado: maio 17, 2011 em Contos

As mãos dele foram amarradas com corda crua. Em uma cadeira colorida numa noite dura. Dessas sem estrelas. Era uma cadeira quadrada, com pés puídos de tanto serem balançados. Material sem nome, pregos sem identificação. Quem o prendeu rondou o ambiente como em filme de gângster. Fumou cigarro de renome como em atmosfera noir. Não falou nada. Havia só o som daquele que copiava e colava em um computador de mão.

O homem sentado e preso estava nervoso. Trincava os dentes. Tinha cueca suada. Tinha pulso tremido. O fumante fingiu que ia empurrar a cadeira e fazê-lo cair de cabeça. Aquele que copiava e colava nem se alterou. Nenhuma lâmpada estava pendurada, pois o teto era feito de plástico bolha. O fumante se divertia com apreensão. O homem sentado levantou os olhos quando aquele que copiava e colava levantou a cabeça e disse: Entrei.

O fumante apagou o cigarro na sola de seu sapato novo número 44. Tirou do bolso uma câmera lomográfica e deu dois cliques sobre a cara do homem sentado. Depois virou-se para aquele que copiava e colava e falou: Agora coloca aí que fui eu que criei essa porra de site de relacionamento.

O fumante odiava câmeras digitais, mas apreciava renomes.

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