A mulher feia

Publicado: abril 17, 2011 em Contos

Era muito, muito difícil pedir desculpas pela impulsividade. Ela não sabia por onde começar. Falar que tinha feito aquilo por não querer pensar? Falar que tinha feito aquilo porque seus nervos eram maiores em dias de semana?

Ela ficou treinando não em frente ao espelho, mas em frente à porta. A porta dava reflexo para a rua e a rua era o local onde as coisas passavam. Passavam com tempo, som e jeito de andar.

Ela subiu as escadas e bateu à porta. A porta dava reflexo para dentro da casa e a casa era o local onde as coisas ficavam. Ficavam com cheiro, pausas e jeito de falar.

Oi, ela disse.

E ele não disse nada. Ela ficou no tapete, a contar pontos que cruzam as linhas, sujeiras que caem de sapatos e pedaços que ficam no pensamento quando não se sabe por onde começar.

Oi, ela disse novamente.

Ok, ele balbuciou.

E o céu era têmpora de nuvem. Vento de esquina. Sorriso de meia palavra.

Desculpa de novo, ela disse.

Ele ficou sem entender porque as escadas caíram, o chão desabou e ela escondeu-se debaixo da cama do andar de baixo por ser uma coisa que não era. Tinha vergonha de criar personagens.

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