Em dia

Publicado: fevereiro 8, 2011 em Contos
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Andava em dia com contas, pérolas e diamantes. Andava em dia com pagamentos, receitas e planilhas de excel. Andava em dia com palavras, música e risadas de fim de tarde.

Mas não andava em meses para dentro de si, em anos de teclas, em semanas de sonhos. Não andava em dia com sopros de coração, com estremiços de alma, com balançar de piscar de olhos, com aquele total de inteiro e não pela metade.

Alguns acreditavam que era necessário ver as bençãos dos deuses para que elevasse sua prótese, para que achasse não o caminho certo, mas o equilíbrio. Os profetas de Internet liberaram mantras específicos para que dissolvesse o sangue pisado debaixo de sua unha do dedo anelar.

Tinha unhas roídas. Por ansiedade. Por tristeza. Por dúvida que enroscava que nem cabelo em meio a azulejo de banheiro.

Enquanto todos achavam que ohm fosse encantar, permaneceu a entoar sons indecifráveis atrás da porta, com o bruxulear de uma vela incandescente. No fim, só formigas em fila indiana é que entraram pelo vão da porta. Foi o máximo que conseguiu da mitologia do Oriente.

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