As coisas de domingo

Publicado: janeiro 24, 2011 em Das coisas que se aprende
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A cada dia que passa descubro que quero coisas simples. Quero mais cupcakes. Conversa entre amigos. Risadas. Minha alma limpa. Papel com receitas e borrados de chocolate.

A cada dia que passa vejo que o que entra e sai da minha vida é o que entra e sai. Nem mais nem menos. Um email de algum amigo perdido que diz que me doa um abraço e que se eu precisar dele, ele estará onde for por mim. Gestos de pessoas que não vejo em anos, mas que pipocam em mim quando eu mais preciso. E desses gestos eu lembro de pessoas não mais no hoje. A menina que me deu uma xícara de chá quando eu achava que o futuro ia me engolir, sem me perguntar nada. O moço que disse que eu ia encontrar o que estava procurando, mas que não ia ser bom.  A moça com a tatuagem no dedo que falou do 1/4 de minha vida e que tudo ia acontecer depois dele. O menino que me olhou de canto de olho quando eu estava de cabeça baixa. Gente que carrega de mim para elas (um tantinho aqui) e delas para mim(um bocado assim).

A cada dia que passa a ficção fica da esquina a me encarar, a perguntar por que não vejo mais nada e por que não sento e simplesmente deixo as estórias tomarem meus dedos. Eu olho a tal da ficção nos olhos e digo que não sei. Não consigo deixar que ela entre enquanto em mim tomei a confusão. E ficamos assim, uma a espera da outra, como se quanto mais eu ficasse acordada pela madrugada, menos tempo eu teria para ela e assim enganaria a esquina que desdobra meu coração.

A cada dia que passa tenho resgatado música e ressignificado tudo que eu sentia quando eu as ouvia. Quando futuro não passava simplesmente de coisa programada e fácil de chegar se eu tivesse planos. Mas pelo caminho eu descobri que plano era só modelo de avião.

A cada dia que passa descubro que tudo que guardei em cds e dvds está arranhado e que de passado só me resta o que a memória deixou selecionada, as músicas pouco decoradas e as sinopses dos filmes que vislumbrei quando eu sentava e via mais de 5 por dia. Eu lembro de coisas daquela época, mas acho que estou esquecendo o ontem. Como se lembrança fosse só coisa de mais de 10 anos.

A cada dia que passa minhas mãos mudam e as linhas tomam formas antes nunca navegadas. Eu vejo peixe, vejo Y de cabeça pra baixo, ramificações e dois pontos que não sei. Me vejo uma velhinha de galochas pisando no úmido para que marcas sejam só de pés.

A cada dia que passa eu abro os olhos e inspiro. Um tipo de ar que entra em poros, sente cor e falta. Tipo dobradura em livro novo, onde você tenta desamassar, mas a posição sempre volta. E quando eu fecho os olhos, tenho medo do Sonhar.

A cada dia que passa a minha árvore favorita balança em cheiro. Me joga borboletas para dentro de casa. Bichos alados e odor de churrasco que ela não mais abafa.

A cada dia que passa eu descubro que é tanta coisa e é pouco o tempo, mas que é muito se eu arrastar em segundos. E por mais que eu tente pular segundos, eles sempre serão segundos, fragmentações de minutos e pedaços de horas. E eu sempre ficarei a esperar, porque é de mim em mim que nunca vai embora.

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comentários
  1. é deixar tudo acontecer naturalmente…o tempo passa e as coisas acontecem. momentos bons e ruins passam, e coisa nova sempre vem.

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