O moço gentil

Publicado: janeiro 8, 2011 em Contos
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Sabe aqueles dias onde há um monte de coisa dentro de você e não se consegue nem levantar a cabeça? O dia que parece que iremos explodir o infinito, mesmo sendo insetos?

Era esse tipo de dia que ele vinha vivendo. Porções de eletricidade no cérebro. Pedaços de desconhecidos momentos de solidão. Mas ele não sabia viver com a ternura. Nem com o mormaço desses dias. Não era a tempestade a pior, era o suor que pingava quando o mundo parecia estar em silêncio e as ruas eram cheias de pessoas reunidas, correndo de suas casas porque casa era só lugar de dormir e copular.

Mas ele, ele tinha o mormaço nas axilas. E como alguém lhe dissera que devemos ser gentis com nós mesmos, ele decidiu tomar banho de mangueira só para passar o tempo. Era quente, mas água de plástico sempre era melhor que a secura. Então ficou assim: ia pelo bueiro toda a gentileza que um dia guardara e doara.

Não era mais um homem gentil com os outros, era com ele mesmo.

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comentários
  1. o homem gentil deixou uma carta comigo…

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