Pra onde se vai

Publicado: janeiro 6, 2011 em Contos
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Ele havia descoberto que bebedeira dava caganeira no pior banheiro de um boteco no coração de Santa Teresa, aquele que tocava música turca. Sua bisa dizia que misturar cerveja com melancia dava dor de barriga porque era puro líquido, mas ele nunca tinha atestado para tal fato.

Hoje ele comprovava. A fermentação o fazia pingar pelo ânus e foi prestando atenção aos azulejos que ele teve a ideia de usar cevada contra prisão de ventre. Começaria com as experimentações entre os amigos mais íntimos, depois passaria a circular pelos bares oferecendo o produto em doses engarrafadas. Os azulejos até inspiraram a pensar no layout. Ele colocaria recados nas privadas podres da Lapa e nos orelhões quebrados que davam para passarelas. Papel higiênico poderia vir de brinde.

A dor de barriga aumentava junto com os arrotos que lembravam caroços da fruta. Por sorte havia um resto ralo de papel de quinta categoria. Teria que se lavar na pia e não apertar a mão de ninguém pelo resto do dia.

Não, ao invés de papel higiênico, os clientes deveriam receber como amostra um sabonete. Palmolive, talvez. Ele poderia ressuscitar a saponificação dos anos 80.

Limpou a bunda feliz, nada era por acaso: pra onde se vai é que faz de um homem sábio ou não.

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