O homem que contava

Publicado: janeiro 5, 2011 em Contos

Em um país bem pequeno havia um homem que colocava post-its em muros de casa. Só de casa. Ele não escrevia palavras, mas números.

Era um homem que contava. Adições. Para ele, o mundo não era feito de subtrações, o máximo que se conseguia era dízima periódica de divisão e multiplicação, mas subtração nunca. Ele não conseguia acreditar que o homem precisava de menos e sim sempre de mais. Operações binárias era o que ele espalhava.

A vizinha dali sorriu quando viu que sua vida era um 4. O barbeiro ficou triste ao saber que era um 3. A Gretchen abaixou os olhos quando percebeu que era um 6. E ele não entendeu nada quando perto da caixa de correio havia um 12. O que seria 12?

12 era um filme de Nikita Mikhalkov. Era o dia das crianças. Era o começo da pressão sanguínea da mãe. Era o peso da raposa gigante que havia invadido uma outra casa e comido o gato da família. 12 eram as horas que ele levava para montar um quebra-cabeça. 12 eram as paisagens que ele fotografara em 12 noites. Eram 12 as velas que iluminavam o que ele expusera em 12 meses por 12 vezes naquele ateliê número 12.

Ele deu ao homem que contava 12 moedas estrangeiras. E elas tinham números. Então o homem agora usa um lápis e passa o post-it por cima e redesenha a moeda para cada uma das casas que já havia passado. Ele era um homem bom e persistente. Acreditava que coisas inúteis mudavam as pessoas.

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comentários
  1. É verdade, tudo que é usado para mudar pessoas são coisas inúteis…

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