Com giz

Publicado: dezembro 25, 2010 em Contos

A menina que era um livro na estante tinha armadura e rabisco com giz. Criada com sombra, efeitos e perspectivas. Tinha na capa uma estrela de isopor pintada com resto de acrílico enferrujado. Ela, livro na estante, implodia acidez no estômago em linhas pautadas. Uma parte permanente, outra água que corre por baixo da ponte. Confinada dentro de 4 paredes, pressão sobre o coração da narrativa.

Tinha traças por ser passado. Tinha folhas por ser presente. Tinha pontuação para respiro de futuro. Um livro feminino feito de ir e vir que corre estória com vírgula segundo ponto e vírgula parágrafo outros timbres e outros risos.

– Tô com uma falta no peito, mas o resto tá preenchido – criou ela uma frase para pesquisas de biblioteca.

– Isso aqui – refez ela uma oração sem verbo para que o Google pudesse achá-la.

A menina que era um livro na estante dava um presente único só para quem gostava: Letras e Pó, Sraf ou Partículas Rusakov.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s