Vento de aço

Publicado: dezembro 21, 2010 em Contos

– Agarre-se dentro.

Foi o que a mosca me disse quando a corda arrebentou e meu corpo bateu na rocha. 36 horas depois o bombeiro chegou, mas eu ainda estava lá. Na mesma posição. Havia no céu um risco, feito por urubus. Tinha trilha de vapor. Vento de aço. Fogo de areia.  O mundo andava em passos largos como gigante de pedra sabão. Eu juro que vi a pulseira dele. Era feita de bolas e elas balançavam enquanto ele andava. E ele andava. Assim ó. Com as pernas abertas para se equilibrar porque as descidas eram mais difíceis que as subidas. Porque a grama tão verde quanto tinta Suvinil era só grama. E todos os bichos que andavam entre as encostas me olhavam por eu ter pisado na grama. Eu não sabia que eles precisavam de Massa Corrida Coralar. Eu nem sabia que o resto do mundo era feito de tinta látex.

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