Dia 138

Publicado: dezembro 17, 2010 em Contos

No dia 138 uma nuvem espessa pairou no ar por 138 horas. Tinha a cor das sombras esfumaçadas.

Começou quando ele enterrou um pequeno grampo na terra fofa e úmida. As unhas caíram. Ele enterrou depois um pequeno osso de estimação e a pele dos cotovelos despencou. Ficou com a cara na terra, cheirando saliva. Queria fazer um buraco com o nariz, mas respirar e cavucar não dava. Foi com a boca mesmo. E assim ficou, até ver umas minhoquinhas. Elas futucavam as orelhas. Irritou-se e as mastigou. Depois parou para pensar se elas seriam nutritivas por serem gosmentas ou se seriam gosmentas só para serem nutritivas. Não chegou a resposta alguma.

Ficaria ali, no túnel, até que a nuvem passasse. Certeza certeza não tinha, mas a terra era fofa e úmida.

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