Pombos mancos

Publicado: novembro 25, 2010 em Contos

Não fazer nada até as coisas se ajeitarem, como se inércia fosse problema matemático, o homem local pensou. Havia atingido sua pele e estremecido os olhos da cidade. Apertava o cérebro, caíam as unhas. Quem fazia música entendia que não havia lógica nas coisas não-palpáveis. Não se agarrava sentimentos. Não se exprimia batidas. Mas se viam imagens vindas das notas musicais e vozes que guiam os pensamentos daqueles que acreditam que as nuvens são mais que fumaças cinzas.

Hoje, o homem local quer jogar bomba de monóxido no helicóptero que não dispara alarmes nem surpresas. Hoje, ele quer uma caneta de papelão para riscar melodias, para desenhar o garoto que caminha com as mãos na bermuda e com óculos quadradinhos.

Mas no tempo do hoje não há sardinhas pulando no mar e ele fica lá, na beira da água esperando que caiam do céu zumbis alienígenas com perfumes aquáticos.

Depois de três minutos enjoa e volta a observar pombos mancos.

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