Bem-me-leve

Publicado: novembro 8, 2010 em Contos

Ele, ainda de olhos fechados, pensou Não é o prédio que tá caindo. Ele ao abrir os olhos Nem são as nuvens que estão passando. Ele depois de um segundo Mas que porra é essa?

Era a cama que estava flutuando. Ele não sorriu nem expressou medo, mas sentiu-se confuso, como quem acorda na casa de algum desconhecido achando que está no próprio lar. A cama manobrava pelo quarto como feitiçaria de filme de tarde. Foi nessa hora que ele percebeu que tinha sido uma má escolha comprar um colchão de molas. Ao voar, a cama trepidava demais. Ele abriu a grande janela do apartamento anos 70 e a cama saiu como chaleira planando.

Era uma cama do tipo Maria. Lençol lisinho com elástico, de casal mesmo ele sendo solteiro, com dois travesseiros de penas que caíram ao cruzar a avenida central. Enquanto a cama dava pinotes pelo céu de outono, ele só xingava em pensamento.

Vou matar o dono da Ortobom que me disse que  cama sem cabeceira é mais prática.

Cama box não dava pra sobrevoar telhado e tapar o sol. E ele via a vida assim, meio ao léu. Voar em camas não era como andar de bicicleta.

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