Pandeiro e Piano a quatro mãos

Publicado: outubro 20, 2010 em Estórias abertas de gritos de macaco

E tudo agora fica costas de armário, boca de garrafa e tinta de urucum quando a umidade de inverno vem das nucas das orcas. Sobre o tom da montanha, quando desabou na encosta, a nuvem esquizofrênica na frente do sol nunca calava quando via a própria sombra sobre a lama: Não gostei desse tom de inocência, desabou naturalmente, não precisava nem de metais e nem de agudos, eu chovo piano e não deixo de molhar, normal, sem máscaras, tá aí, eu chovo seco, ahauhauahu. O sol, quente, cheio de vaginas gozantes na cabeça. Atrás do universo um velho de dentadura de aço recita Jai Guru Deva Om. Vírgulas, pontos e coisas de lente de lixa com gosmas que lembram chiclete que não muda de forma. Uma caixa de fósforo pode ser uma caixa de correio se a régua não pontilhar nem medir chapéus mexicanos. Eu posso correr léguas de gotinhas de soda limonada se tiver tempo de ouvido e mãos fofas de urso de gaiola.  Mas nada vai mudar meu mundo.

por Henrique de Sá e Hanny Saraiva

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