Transporte

Publicado: julho 31, 2010 em Contos
Era um cheiro de bala de côco com árvore exterminada por lagartas pretas e amarelas. E desse cheiro vinha não lembranças, mas sensações a fora. Sensações de vontades e desejos. Sensações de perder-se por minutos. Mas além de sensações, vinham as imagens que passavam pela janela do ônibus.

Tom sabia que as imagens passavam, mas não eram as visualizações que o intrigavam, mas a música que invadia seus ouvidos, gravada em alguma parte do mundo e replicada em seus ouvidos por aparelho eletrônico portátil. O ritmo. O silêncio entre as notas e a tristeza de ver as coisas passarem. Porque as coisas passavam e por mais que ele tentasse fixar as imagens na retina, elas não se perdiam, mas passavam, como todas as coisas que se toca e se vê.

Alguns diziam que o mal do século era a solidão. Outros que era a angústia. Outros a singularidade. Para Tom, o mal do século era não ter percepção. Perceber fazia o ar ficar preso. Uma reação química feita de energia. Era como um tapa em mosquito grudado na parede.

O mundo era simples. Como sempre foi. Como sempre seria.

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comentários
  1. Anonymous disse:

    que porrada.matheus

  2. Laio Cherolle disse:

    Talvez a percepção não ter percepção é o que nos basta, talvez, talvez…

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